quarta-feira, 10 de março de 2010

A SEMENTE



Mirando o buquê colorido e perfumado das flores ou o fruto formoso e convidativo, poucas vezes você pensa na agonia da semente que os originou, guardava na furna escura do chão.

Se a semente não se dispõe a humilhar-se no ventre do solo, a mesa não se torna farta, nem o campo vai coberto com os matizes da floração.

No seio guarda toda a potencialidade da árvore frondejante de logo mais. Em seu íntimo a mensagem de vida estua, restando o esforço para aceitar o sacrifício de apagar-se, para ensejar o surgimento da planta.

***

Refletindo no destino da semente, medite sobre sua vida, irmão da luta humana; perceba que, do mesmo modo não lhe valerão frustrações ou decepção, quando os seus esforços não forem devidamente alardeados ou valorizados os seus méritos verdadeiros.

A lição da semente é um convite à humildade operante.

Por mais que conduza na alma todos os valores virtuais para o surgimento do bem no mundo, se você não se dispuser a romper a casca do homem doente, enquanto não ocorrer a sua morte sob a terra da disposição de crescer e renovar-se, a árvore frondosa do progresso e da paz, tão almejada, ainda demorará.

Veja a floresta que explodiu da semente simples.

Olhe a sociedade em que vive, com seu amontoado de carências.

Ouça a sua volta a voz rouca da necessidade alheia, em vários tons.

Você se assemelha muito a semente.

Deixe brotar o amor que reflorirá o mundo todo a partir do terreno fértil da sua existência tornada útil.



Rosângela Costa Lima
J. Raul Teixeira
Livro Rosângela

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